domingo, 15 de janeiro de 2017

Os robôs vão substituir os seres humanos?



Por Sean Welsh, investigador na área da ética robótica na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia

Os robôs vão substituir muitos seres humanos, talvez mesmo a maior parte, no local de trabalho. Desde a Revolução Industrial que o processo de automação tem vindo a eliminar postos de trabalho ocupados por homens e mulheres. No cenário que temos, os trabalhadores humanos tornar-se-ão obsoletos, até os trabalhadores da construção civil. Na verdade, mesmo as atividades de elevado estatuto cognitivo, como o Direito e a Medicina, se encontram ameaçadas pela automação. Pelo abusivo de robô e computador na atividade produtiva.

Carl Frey e Michael Osborne, da Oxford Business School, falam na ocorrência de um fenómeno de desemprego massivo no setor das tecnologias nos próximos 20 a 30 anos – estão em risco, dizem, entre metade a três quartos dos empregos que existem atualmente. Por isso, a questão é mais que pertinente: vão ser criados novos postos de trabalho para compensar aqueles que serão perdidos para os robôs?

Só o tempo poderá responder. Se Frey e Osborne estiverem certos, as empresas vão começar a optar pela racionalização de recursos em grande escala: poupa-se nos salários e aumenta-se exponencialmente a capacidade de trabalho.

Provavelmente, teremos camiões automatizados sem motoristas, por exemplo. As cargas que transportam poderão ser colocadas e retiradas por robôs. O atendimento aos clientes que procuram esses produtos poderá a vir a ser realizado por autómatos.

A lógica desta realidade deixa milhões e milhões de pessoas sem emprego.

Tim Dunlop, autor da obra “Why the Future is Workless”, afirma que os governos têm de parar de fingir que os níveis de emprego vão regressar ao que eram antes e começar a refletir num mundo pós-trabalho. Tal como muitos outros especialistas, Dunlop defende um rendimento básico universal como a medida política necessária na transição social para um mundo onde o trabalho deixa de ocupar um lugar central no dia a dia das pessoas.

É certo que previsões não são factos. Pode ser que estas preocupações sejam infundadas. As empresas até poderão vir a criar outros postos de trabalho, que ainda não concebemos hoje em dia.

No entanto, é verdade que os observadores apontam o dedo às novas tendências que sobressaem no mundo da tecnologia. Há várias startups, com um número de trabalhadores ínfimo, a atingirem uma valorização astronómica. Empregando simplesmente algumas dezenas de pessoas, o YouTube, o Instagram e o WhatsApp foram comprados em negócios de milhares de milhões. Por outro lado, as funções eminentemente tecnológicas não serão uma resposta para uma quantidade massiva de camionistas, lojistas ou outros trabalhadores à procura de emprego.

Imaginemos, mais uma vez, um cenário onde 1 em cada 10, ou até 1 em cada 5, ou mesmo 1 em cada 2 seres humanos fica sem trabalho e sem perspectivas realistas de arranjar outro, porque os robôs operam mais rapidamente, com menos custos, 24 horas por dia, e nem sequer se queixam. As limitações que, nos dias que correm, já sugerem que o do Bem Estar Social iriam agravar-se e muito com do domínio da máquina na atividade produtiva.

Martin Ford, que escreveu “The Rise of the Robots”, conta uma história que envolve Henry Ford II e Walter Reuther, responsável sindical do setor automóvel. Ambos estavam a visitar uma nova fábrica de carros automatizada. Ford provoca Reuther: “Como é que vai fazer para que os robôs paguem as quotas do sindicato?”. Resposta de Reuther: “E como é que senhor vai fazer para que eles comprem os seus carros?”.

Segundo o economista francês Thomas Piketty, a sociedade já está a regredir rumo às desigualdades extremas, em termos de distribuição de rendimentos, que se viviam na altura de Austen e Balzac. Se os robôs vierem a substituir totalmente a força de trabalho, que rendimento disponível terão as pessoas para comprar os produtos feitos por esses mesmos robôs?

Há quem diga que é por esta razão que o sistema capitalista poderá vir a apoiar o conceito de rendimento básico universal. Outras alternativas apontam para um aumento dos impostos para suportar as despesas do Estado social ou a aplicação de políticas protecionistas “anti-robôs”.

É verdade que os robôs estão substituindo muitos seres humanos. Se irá ou não haver novos postos de trabalho suficientes, esse será um dos grandes desafios com que a sociedade se irá debater. Com Euronews

Em Tempo:

Os governos e o mundo corporativo devem refletir muito sobre o que diz esse artigo, sobre o número ínfimo de trabalhadores empregados em startups, a breve história (grife do blog) que envolve Henry Ford II e o líder sindical Walter Reuther e sobre o que diz o economista francês, Thomas Piketti, o autor do livro “O Capital no Século XXI”. Os computadores e robôs não recolhem para o INSS, PIS e PASEP.
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