sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A poesia segundo Raimundo Correia



Mal Secreto
 
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
 
Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
 
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
 
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!


RAIMUNDO CORREIA, foi um magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense, nasceu em 13 de maio de 1859, a bordo do navio brasileiro São Luís, ancorado na baía de Mogúncia, MA, e faleceu em Paris, França, em 13 de setembro de 1911.
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