sábado, 25 de fevereiro de 2017

Por muito menos Richard Nixon renunciou



“Chama-se Michel Temer o problema do governo. Ele chegou ao Planalto como solução constitucional para a autocombustão que consumiu o mandato de Dilma Rousseff. Virou um problema ao cercar-se de amigos tóxicos e subordinar sua administração à vulgaridade. Temer se absteve de perceber que o jogo político no Brasil mudou de fase”. (Do blog do Josias)

"O caso Watergate foi o escândalo político ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos que, ao vir à tona, acabou por culminar com a renúncia do presidente americano Richard Nixon eleito pelo Partido Republicano. "Watergate" de certo modo tornou-se um caso paradigmático de corrupção.

Em 18 de Julho de 1972, o jornal Washington Post noticiava na primeira página o assalto do dia anterior à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate, na capital dos Estados Unidos. Durante a campanha eleitoral, cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos no escritório do Partido Democrata".

No Brasil, o presidente Michel Temer, que em várias delações premiadas, como a do ex-gerente da Odebrecht, Carlos Melo Filho, tem o seu nome citado e vários ministros do seu governo já pediram demissão por não resistirem à pressão exercida pela impressa e de não terem como se defender das acusações, permanece no cargo, sem dar sinais de que pretende renunciar.

Tudo é uma questão de valores. Em países como Japão e Estados Unidos, um político envolvido em casos de corrupção, quando não comete suicídio, ele renuncia ao seu mandato, por não suportar conviver com uma forte coerção social e encarar a sua família. No Brasil, em que pese todas as evidencias de que o político não reúne mais condições morais e éticas para permanecer no cargo que ocupa, ele insiste em permanecer, porque o povo brasileiro valoriza mais o corrupto do que a pessoa de moral ilibada e sem macula.

Um governo que perde num espaço de sete meses, sete dos seus ministros, sob suspeitas de corrupção, não tem mais como se manter no comando do país, porque perdeu credibilidade.

Não é o caso de alguém ou uma instituição pedir o impeachment do presidente Michel Temer? Cadê os juristas Janaina Pascoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, os carrascos da ex-presidenta Dilma Rousseff, tão zelosos que não pedem o impedimento de Temer? Eles não pedem, porque estão envergonhados.

O Brasil definitivamente não é um Estados Unidos e tampouco, um Japão.
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