terça-feira, 7 de março de 2017

A poesia segundo Serguei Iessiênin



Sim! Está decidido, agora não tem mais volta

Sim! Está decidido, agora não tem mais volta
Deixei minha querida terra natal,
as folhas de álamos carregadas pelo vento nunca mais cairão sobre mim,
não sentirei novamente o toque das folhas, nem ouvirei seus sussurros, é verdade.
Nossa antiga casa vai vir abaixo na minha ausência,
e o meu velho cão já há tempos está morto.
Nas frias e tortuosas ruas de Moscou
caminho para a morte, esperando conhecer a misericórdia desse Deus que tem me julgado.
Amo demais essa cidade de olmos,
cheia de prédios decrépitos e casas velhas.
Um sonho asiático de inesquecível beleza
onde repousam templos cobertos de ouro.
À noite, quando a luz da Lua, dissipada,
Brilha por sobre a cidade… diabos! O inferno sabe como queimar!
Estou a andar pelas ruas, cabisbaixo, rumo
à taverna mais próxima, para um drink ou dois.
É um antro sinistro e barulhento esse lugar,
Apesar disso, durante a noite toda, até de madrugada,
leio poemas para as meninas que vão se prostituir,
enquanto me embebedo e elas se divertem prazerosamente com os ladrões.
Meu coração começa a palpitar com mais e mais força,
então choro, finalmente perdendo a compostura,
e falo, meio sem propósito, meio fora de contexto:
“Assim como vocês, eu falhei e me perdi,
mas pra mim já não há caminho de volta”.
Minha antiga casa desmoronou na minha ausência,
meu velho cão já há tempos está morto.
Nas frias e tortuosas ruas de Moscou
estou fadado a morrer, esperando a misericórdia desse Deus que tem me julgado.

Tradução de Pablo Polese

Serguei Iessienin foi um poeta e o maior expoente do chamado Imagismo russo, sendo da mesma geração de Vladimir Maiakóvski.

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