A escola de Nilópolis vai buscar o 13º título do carnaval revelando a história dos 400 Anos de São Luís. G1
Recheada de lendas, crenças e misticismo, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro, vai buscar o 13º título do carnaval com o enredo “São Luís, o poema encantado do Maranhão”. Para contar a história da capital maranhense, a atual campeã carioca não mediu esforços e vai levar para a Avenida cerca de cinco toneladas de búzios.
Recheada de lendas, crenças e misticismo, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro, vai buscar o 13º título do carnaval com o enredo “São Luís, o poema encantado do Maranhão”. Para contar a história da capital maranhense, a atual campeã carioca não mediu esforços e vai levar para a Avenida cerca de cinco toneladas de búzios.
Tal
proeza é para contar a chegada dos negros ao Brasil. As milhares de
conchinhas poderão ser vistas em pelo menos dois dos 8 carros alegóricos
e nas fantasias dos 3,8 mil componentes, divididos em 49 alas. Uma a
uma, elas foram coladas a mão, um trabalho minucioso que durou cerca de
três meses para ficar pronto. Entre um setor e outro, a Beija-Flor
promete fazer um passeio pela cultura maranhense.
Uma
das alegorias que promete chamar a atenção é a que representa o navio
negreiro, com máscaras africanas e esculturas de corpos humanos na
lateral da barca.
De acordo
com o carnavalesco Victor Santos, que compõe a comissão de carnaval,
somente no setor dois serão cerca de 1,5 mil componentes, todos negros,
representando o sofrimento dos escravos.
A
cultura afro, aliás, estará presente em grande parte do desfile. Para
desenvolver o enredo, a comissão de carnaval foi até São Luís do
Maranhão. Foi em uma dessas visitas, de acordo com Victor Santos, que a
comissão percebeu uma forte influência negra na cidade. Por isso, não só
a cultura, mas também a religião e festas folclóricas como o bumba meu
boi estarão no desfile.
“Nós
procuramos uma forma diferente para tratar esse enredo. Fizemos várias
viagens para a ilha e descobrimos uma influência negra muito poderosa. E
nós vamos enfatizar no desfile essa influência negra, além das lendas
de São Luís e todo o espírito e mistério que você percebe quando você
chega lá na cidade”, explicou o carnavalesco.
Assombrações e serpentes aladas
Criaturas
armadas, com chifres e grandes serpentes ganharão movimentos e cores
para contar o surgimento de São Luís através de um olhar místico. A
alegoria é uma das que mais chamam a atenção no barracão da escola, na
Cidade do Samba, na Gamboa, na Zona Portuária da cidade. Com esculturas
grandiosas, artistas de Parintins (AM) trabalham dia e noite para dar
vida aos personagens. O resultado poderá ser visto na Avenida.
Considerada
uma das lendas mais populares de São Luís do Maranhão, a carruagem
encantada de Ana Jansen será representada neste setor. De acordo com o
carnavalesco, reza a lenda que Ana Jansen, mulher rica, poderosa e cruel
com os seus escravos, teria sido condenada a pagar os seus pecados
vagando eternamente pelas ruas da cidade numa carruagem encantada.
“O
desfile da Beija-Flor será extremamente místico. São Luís surgiu
apoiada neste misticismo, nessas lendas, nesses fantasmas. Em um dos
carros teremos a figura de Ana Jansen, da assombração e da serpente de
prata. É uma parte esperada, a passagem da carruagem assombrada de Ana
Jansen, puxada por um escravo sem cabeça e cavalos decapitados”, disse.
Homenagem a Joãosinho Trinta
Entre
tantas homenagens, uma não poderia ficar de fora do enredo da
Beija-Flor. A azul e branca pretende encerrar o seu desfile com um
emocionante tributo ao carnavalesco Joãosinho Trinta, que morreu no dia
17 de dezembro do ano passado. Maranhense, Joãsinho ficou por 17 anos na
Beija-Flor, sendo campeão cinco vezes, entre 1976 e 1983.
O
desfiles antológico “Ratos e urubus larguem a minha fantasia”, de 1989,
será lembrado em uma das alegorias, mas desta vez, diz Victor Santos, a
réplica do Cristo Redentor como mendigo virá descoberta na Avenida. Na
época, por decisão da Justiça, a escultura teve que entrar coberta. O
trono que seria usado por Joãosinho vai entrar vazio na Sapucaí.
Os
grandes escritores, poetas e o carnaval de rua maranhense também serão
lembrados. Sobre as fantasias do primeiro casal de mestre-sala e
porta-bandeira Selmynha Sorriso e Claudinho, e da rainha de bateria
Raíssa Oliveira, o carnavalesco preferiu manter segredo.
Com
a voz de Neguinho da Beija-Flor e bateria afinada sob o comando dos
mestres Plínio e Rodney, a Beija-Flor será a sexta escola a passar pela
Avenida no domingo (19 de fevereiro), com previsão de entrada entre 2h25
e 3h50.
Por 82 minutos,
Victor Santos garante: a Marquês de Sapucaí vai se transformar na
capital do Maranhão. ” A escola está coesa e nós viremos para disputar.
Vamos trazer muita encenação, muitos momentos de surpresa, inesperados, a
junção do chão com os carros alegóricos. Temos certeza de que será um
grande carnaval, à altura de São Luís”, disse Victor Santos.
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