O Departamento de Ciência e
Tecnologia Aeroespacial (DCTA) reuniu na última semana de março pesquisadores
de unidades subordinadas para a maratona de reuniões do Grupo Interfaces de
Lançamento (GIL), em Alcântara (MA). Mais de 50 engenheiros e estudiosos da
área espacial, incluindo membros do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do
Instituto de Fomento à Indústria (IFI), do Centro de Lançamento de Alcântara
(CLA) e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), discutiram o
andamento de projetos, suas questões técnicas e financeiras e propuseram a
agenda de lançamentos para os próximos anos.
No primeiro dia de reunião, foram discutidas as oito operações
previstas para 2013, duas no CLBI e seis no CLA. A primeira deve ser a Águia,
em junho, em que será lançado um Foguete de Treinamento Intermediário (FTI). No
último ano, segundo o Comandante do CLA, Coronel Demétrio, foram lançados seis
Foguetes de Treinamento Básico (FTB), um FTI, um VS30 Orion, além da Operação
Salina – que foi uma simulação de lançamento do VLS-I. Já no CLBI, foram seis
operações entre lançamentos e testes, além de cinco rastreamentos do foguete
francês Ariane.
Segundo o engenheiro Mauro Dolinsky, Coordenador de Espaço do
DCTA, o destaque das atividades deste ano é a grande quantidade de foguetes
brasileiros lançados no exterior: a previsão é que sejam lançados nove
foguetes, a partir de centros na Noruega e na Suécia. “A importância destes
lançamentos é construirmos credibilidade junto à comunidade científica
internacional, pois se nós conseguimos fazer bem algo extremamente complexo,
como é um foguete, é sinal de que estamos em um nível de excelência nas
tecnologias mais simples”, afirma o engenheiro.
Outra importante pauta tratada na reunião do GIL foi o andamento
do projeto VLS-1, apresentado pelo seu gerente, Tenente-Coronel Engenheiro
Alberto Mello. Segundo ele, o próximo passo no caminho para o lançamento do
veículo lançador de satélite é o voo do VSISNAV, previsto para o início de
2014.
O VSISNAV será um veículo espacial lançado para qualificar o
sistema de navegação e o sistema de separação do primeiro e segundo estágios do
VLS – já que o terceiro e quarto serão inertes. Após o VSISNAV, será lançado
outro foguete de testes, o chamado XVT-02, que será um veículo completo com
carga tecnológica, ou seja, neste lançamento algum objeto será colocado em
órbita – algo que emita sinal, permitindo que os pesquisadores consigam
identificar sua localização. Outro objetivo é verificar a funcionalidade de uma
nova rede elétrica, mais complexa que a do VSISNAV: este sistema será capaz de
calcular sua localização e, a partir destes dados, corrigir sua trajetória de
voo, o que se chama de malha fechada.
Após o XVT-02, o projeto VLS-1 chega ao seu ápice, com o
lançamento do V-04, que colocará em órbita um satélite real, demonstrando a
eficácia do sistema e a capacidade tecnológica brasileira em lançar, com
conhecimentos próprios, satélites de pequeno porte – o V04 será capaz de
colocar em órbita um satélite de aproximadamente 200 kg em uma altitude de 700
km.
Para o Tenente-Coronel Alberto, mais importante é destacar que,
independentemente da escolha que for feita, a estrutura que vem sendo criada
poderá ser utilizada para os projetos posteriores: “cada passo na construção do
VLS é aprendizado adquirido, pois a ciência se desenvolve assim, da base para o
teto. O programa espacial norte-americano, por exemplo, começou pelos projetos
Mercury, Gemini, que previam operações menos ousadas, mas essenciais para
desenvolver conhecimentos para se chegar à lua com a missão Apollo”, analisa.
Para o atual presidente do GIL, Tenente-Coronel Aviador Paulo Junzo
Hirasawa, as reuniões do grupo são umas das poucas oportunidades em que é
possível congregar os envolvidos no Programa Espacial Brasileiro – são
convidados, inclusive, representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB) e
Alcântara Cyclone Space (ACS) – para discutir atualizações, apontar problemas,
destacar avanços e sugerir soluções para os projetos desenvolvidos.
GIL – O grupo
surgiu com o intuito de reunir os diversos atores envolvidos nos lançamentos
para troca de experiências técnicas e discutir a logística das operações, já
que as atividades desenvolvidas nos centros de lançamento e nos institutos de
pesquisa são interdependentes. Inicialmente, o objetivo do GIL era conseguir
atender às exigências do relatório referente ao acidente com o VLS, em 2003,
que requeria ações conjuntas de melhoramento e segurança.Fonte: ACS/DCTA

Nenhum comentário:
Postar um comentário