segunda-feira, 10 de março de 2014

Professores sem carreira continuam desvalorizados

Os professores da rede estadual de ensino do estado do Piauí estão, atualmente, sem ascensão em sua carreira, pois, alegando falta de recursos os governos retiraram direitos  como a regência de classe e a diminuição dos níveis o que trouxe insatisfação na categoria.

De acordo com o Plano atual o acesso e a progressão devem ocorrer nos meses de maio e outubro, no entanto, o governo atrasa e não paga o retroativo. A Secretaria Estadual de Educação (SEDUC) diminuiu os níveis de 08 para 04 e, o tempo de mudança passou de 04 para 08 anos. Em 2012, o governador Wilson Martins (PSB) incorporou a regência ao vencimento e, com isso, diz que o estado paga  acima do piso. De acordo com a atual tabela,  o professor classe A tem um vencimento de R$ 1965, 99 no nível I, após 08 anos, ao passar para o nível II terá um vencimento de 1995,23, um aumento de R$ 29, 24, veja que absurdo, o docente passará 08 anos para ter um aumento de R$ 29, 00 no contracheque. O mesmo professor no final de carreira terá um vencimento de R$ 2053,83, um aumento de R$ 87,84, esse é o aumento que o professor receberá durante toda sua carreira.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí (SINTE) colocou em discussão o novo Plano, de acordo com a proposta, serão 07 classes e 09 níveis. A mudança de uma classe para outra manterá o docente no mesmo nível em que se encontra, já a mudança de nível será de 03 em 03 anos com um percentual de 4% entre eles. A proposta também prevê a volta da regência com percentual de 40% sobre o vencimento e cargo único de professor independente da função.

Percebe-se que para ser implantado, o novo Plano  depende da vontade política do governador, que prestes a deixar o governo não se mostra simpático com a idéia. De outro lado, temos um sindicato que abandonou o plano de lutas, não se vê um movimento de base da categoria para pressionar o governo a atender a demanda. Sem um plano de lutas que mobilize os professores, dificilmente este plano sairá do papel. 

Portanto, para que os professores tenham de volta os seus direitos perdidos é necessário partir para a luta, a fase de discussão já passou. O governador Wilson Martins (PSB) e o secretário de Educação Átila Lira (PSB) deixarão um legado de, embora concederem o reajuste do piso, não proporem um Plano de Carreira que realmente valorize o professor. Haverá uma greve nacional nos dias 17, 18 e 19 de março proposto pela Confederação Nacional dos Trabalhadores e Educação (CNTE) onde o (SINTE) participará com manifestações na frente do Palácio de Karnak e na Associação Piauiense do professores Municipais (APPM). O (SINTE-PI) deve mobilizar a categoria e ir para a rua denunciar o tratamento que recebe do governo. Só assim, lutando pelos seus direitos é que os professores terão seus direitos resgatados e serão valorizados e isso trará reflexos na melhoria da qualidade do ensino.

Paulo Sérgio Santos Rocha é professor da rede estadual.     

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