sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A morte não me mete medo




Eu não tenho medo da morte. O que me aflige e me faz sentir medo é a certeza de que à morte me privará da doce sensação de poder caminhar pelas ruas, de ver gente, de admirar o por do sol e caminhar sob uma chuva miúda.

Os medos que sinto são do transito estrangulado, das ruas e calçadas apinhadas de gente e de veículos automotores. Da superpopulação que com a sua ação esgota todos os recursos naturais - de modo a que o homem sofra com a falta de água. Do lixo que provoca o envenenamento dos rios, mares e congestiona às nossas vias respiratórias.

É a barbárie que me causa aflição. São às guerras que me tiram o sono. É o desemprego que me atormenta e me deixa sem animo para encarar guerras que sabemos por antecipação que são guerras perdidas.

Tenho do amor que me torna impotente e me faz rastejar como quem não tem forças para ficar de pé.

Tenho mais medo da cama do que da morte. Ter medo da cama significa ficar imobilizado sobre uma cama, sem autonomia e sendo dirigido e conduzido por parentes ou cuidadores. Pensar nessa possibilidade me deixa tomado, possuído por um grande pavor.
Toda vez que eu penso na morte eu tenho a dimensão da tragédia inevitável, mas, por outro lado abre uma janela na minha consciência que me permite aceitá-la com um destino implacável.  

por Tomazia Arouche   

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