quarta-feira, 1 de março de 2017

O verdadeiro carnaval está morrendo



Pelo menos o carnaval tradicional está, o carnaval com características populares. Os carnavais das marchinhas, dos blocos de sujo, dos fofões e Clóvis; esse está sendo substituído pelo carnaval estilizado, onde o samba e a marcha de carnaval feitas para o reinado de Momo, estão dando lugar ao sertanejo universitário, o forró e outras esquisitices mais.

O cantor e compositor baiano, Caetano Veloso, ao perceber essa descaracterização do carnaval de rua, tentou reagir, ao criar frevos memoráveis como Samba, Suor e Cerveja e a Filha da Chiquita Bacana.

As marchinhas de carnaval tiveram seu auge nos anos 30, 40 e 50. Dos anos 60 em diante, as marchinhas começaram a perder espaço para os sambas-enredo. As escolas de samba, agremiações de grandes sambistas, começavam a ditar quais eram os sucessos. Alguns compositores, como Chico Buarque, se arriscaram a escrever as suas marchinhas. Caetano Veloso também se arriscou, mas flertou com outro gênero, o frevo, que anima em Pernambuco, tal qual as marchinhas no Rio de Janeiro, a festa de carnaval. Mas ficou nisso.  

Para dar o tiro de misericórdia no verdadeiro carnaval brasileiro (carnaval da rua), eis que a baianada nagô, movida pelo espírito capitalista, resolveu radicalizar nas suas inovações e passou a incorporar elementos estranhos ao verdadeiro carnaval, como por exemplo, receber nos trios elétricos, cantores sertanejos, bandas de forró e o que é pior ainda: a explosão do pagode, um ritmo lento, de letras pobres e muito sensuais. Carnaval como eu entendo é explosão e alegria. Sensualidade é boa entre quatro paredes ou em clubes de stripe-tease.

Os grupos Harmonia do Samba, Psirico e Léo Santana e outros do gênero, movidos pela grande mídia e as grandes gravadoras, expurgaram cantores como Missinho, Armadinho e Luiz Caldas do carnaval baiano. O Carnaval Fora de Época que surgiu com a onda do Trio Elétrico, uma criação dos baianos Dodô e Osmar, está morrendo, porque ninguém suporta mais o pagode que assassinou o axé.

Um carnaval animado pelo grupo Chiclete Com Banana não se compara com um carnaval feito pelo grupo Harmonia do Samba, Michel Teló, Luan Santana e Aviões do Forró. Desnecessário que os pagodeiros, sertanejos e a turma do forró estilizado, estupraram o carnaval da Bahia.

O estado do Maranhão, o único estado que vinha se mantendo fiel às tradições, no carnaval de 2017 procurou imitar o carnaval pernambucano, ao convidar os cantores Zeca Baleiro, Chico Cesar e Fafá, para “animar” o carnaval ludovicense. O Maranhão acaba de se render ao novo carnaval brasileiro. Puta que pariu!    
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