sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A poesia segundo José Chagas



O Apito do Passado

O Mearim derrama na distância
uma água que em sonhos nos invade,
como fio invisível que se lance a
separar em duas a cidade.
  
E essa água vem banhar sem que se canse a
vida inteira que no rio nade,
porquanto água de amor que lava infância
lava também velhice e mocidade.

Mearim — rio velho e rio novo,
alegria e aflição de um mesmo povo —
um mar se afoga nos mistérios teus.

Mas preservas em ti, para Pedreiras
vibrando no ar, o apito das primeiras
lanchas que nos deixaram seu adeus.


José Chagas, foi um monumento vivo da cultura do Maranhão. Paraibano de nascença e maranhense de coração desde a década de 40, o poeta nunca  conseguiu esconder sua paixão por São Luís.
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