domingo, 17 de março de 2019

Bolsonaro quer um alinhamento automático com Trump



O Brasil, sob os governos Lula e Dilma, buscou estabelecer um distanciamento ideológico dos Estados Unidos da América (EUA), sem contudo distanciar-se dos EUA do ponto de vista das relações comerciais, uma política inteligente e muito coerente.  

Com esse nosso distanciamento ideológico da terra de Tio Sam, os sucessivos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), buscaram fugir do alinhamento automático com um país que em que pese o seu discurso de liberdade, nas suas relações com os países pobres e emergentes, tenta sempre ficar suas garras cada vez mais profundamente nas terras dos seus aliados e parceiros comerciais.  

Já, o governo de Jair Messias Bolsonaro, este pretende alinhar-se automaticamente com o governo do presidente Donald Trump, pois entendem os formuladores da política externa brasileira, liderados por Olavo de Carvalho (uma figura obscura e que até momentos antes da campanha de Bolsonaro, era um ilustre desconhecido do povo brasileiro, porque esse americanóilo reside no estado da Virgínia nos Estados Unidos da América) que o Brasil ganha muito mais sendo parceiro comercial da Casa Branca e rezando na cartilha dos norte-americanos.

Um acordo de tecnologia para utilização do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) no Maranhão, firmado entre o Brasil e os EUA, será assinado durante a visita do presidente Jair Bolsonaro à capital norte americana na próxima semana. As bases de um acordo que diga-se de passagem, começaram a ser negociadas no governo Temer. Esse acordo faz parte do projeto do governo brasileiro de uma maior aproximação entre estes dois países.

Além do CLA, o governo de Donald Trump, pretende com essa política norte-americana de maior aproximação com o Brasil, diminuir o comércio do Brasil com a República Popular da China e fazer do Brasil - a cabeça de ponte dos EUA na América do Sul, mais precisamente na Venezuela. Uma política da Casa Branca que interessa aos EUA, mas que para o nosso país representa um jogo bastante arriscado, porque se o Brasil entrar de cabeça na questão venezuelana, este país que já anda atolado em várias crises, terá que arcar com as consequências inevitáveis de guerra civil que fatalmente acontecerá na Venezuela, caso o governo de Nicolás Maduro saia derrotado. Como fiador dessa aventura anunciada, o governo brasileiro terá o compromisso moral de bancar à reconstrução desse país fronteiriço.   

Querer afastar o Brasil da República Popular da China, um dos nossos maiores parceiros comerciais na atualidade; de um país que não compete com o nosso na venda de commodities, sobretudo de produtos agrícolas, não é um bom negócio para um país que depende fundamentalmente da venda de matéria primas para ter uma balança comercial positiva.   

Os norte-americanos não são altruístas, muito pelo contrário, eles levam o pragmatismo ao pé da letra e só conseguem ver na sua frente, a defesa dos seus próprios interesses que são uma balança comercial favorável.  

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