No
existencialismo o ponto de partida do indivíduo é caracterizado pelo que se tem
designado por atitude existencialista. Atitude existencialista é uma sensação
de desorientação e confusão face a um mundo aparentemente sem sentido e absurdo.
“...foi
que admiti para mim mesmo que aquele era um movimento revolucionário de
esquerda cuja vitória eu simplesmente não desejava...O que realmente
transformou o mundo foi a revolução cultural da década de 1960” Eric HOBSBAWM
"Assim
que você pensar que sabe como são realmente as coisas, descubra outra maneira
de olhar para elas" (Do
filme: Sociedade dos Poetas Mortos)
“Do
ponto de vista histórico e existencial, diante das injustiças dos homens e das
tragédias do mundo, os movimentos político-sociais se dividem entre duas
atitudes de lutas: a revolta e a revolução. Por definição, a
revolta se constitui um estado de espírito que é mais individual e
subjetivo do que coletivo. “Ela é um conjunto perpétuo do homem e da sua
própria obscuridade”. A revolta é uma filosofia de vida e uma
exigência estética, que toma consciência do absurdo e diz “não”. Já a revolução
- que chegou a formar uma “cultura revolucionária”, especialmente a
marxista-leninista-guevarista -, se constitui numa ruptura necessariamente
“explosiva” com vistas ao projeto de transformação radical da organização da
sociedade.
Para o revolucionário de
esquerda todas as injustiças e desigualdades têm como causa única as
contradições concretas da sociedade capitalista, que precisam sofrer uma
ruptura pela ação dos homens, dentro do processo histórico. O
existencialismo de Albert Camus concebe um tipo de revoltado que entende a
própria realidade como absurda. A sua linha de
pensamento primeiramente toma como fonte inspiradora Prometeu e Sísifo,
porque são exemplos clássicos de estilos arquetípicos de revolta do homem
contra as imposições de uma realidade vivida existencialmente como injusta e
absurda. Enquanto que Prometeu, pela sua ousadia sofre o castigo dos deuses, e
não vê esperança de mudança na sua condição de dor e sofrimento, em
Sísifo a esperança aparece no momento em que “ele toma consciência de sua
tragédia e se revolta”, analisa Camus.
Assim, no pensamento
existencialista de Camus a revolta tem dois significados: o primeiro encara tal
atitude como reação natural diante da experiência do absurdo da vida. Trata-se
de uma revolta metafísica do homem contra a sua condição e toda a
criação. Esta revolta implica tanto num gesto de repulsa contra o criador
quanto num ceticismo diante das soluções demasiadamente humanas. O segundo
sentido é a revolta política
ou histórica, por
exemplo, do escravo que aspira sair da sua condição precária e submetida de
mera sobrevivência. A revolta política implica numa atitude de suspeita
permanente e rejeição para com as soluções simplistas de salvação da humanidade
presentes nos discursos políticos e ideológicos de inspiração revolucionária.
A revolta camusiana
nasce não apenas do oprimido, enquanto indivíduo ou classe social, mas de
qualquer ser humano que vive uma condição de humilhação e de sofrimento imposto
por outrem. Enquanto que o revolucionário apenas reconhece a revolta de uma
classe – proletária – o revoltado camusiano reconhece a revolta do sujeito consciente
visto como impedido de viver uma vida digna e feliz.
Portanto, a atitude permanente
de revolta proposta por Camus é a alternativa para o simplismo e mesmo o
fanatismo”.
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