domingo, 17 de março de 2019

O existencialismo em Albert Camus


No existencialismo o ponto de partida do indivíduo é caracterizado pelo que se tem designado por atitude existencialista. Atitude existencialista é uma sensação de desorientação e confusão face a um mundo aparentemente sem sentido e absurdo.


“...foi que admiti para mim mesmo que aquele era um movimento revolucionário de esquerda cuja vitória eu simplesmente não desejava...O que realmente transformou o mundo foi a revolução cultural da década de 1960” Eric HOBSBAWM

"Assim que você pensar que sabe como são realmente as coisas, descubra outra maneira de olhar para elas" (Do filme: Sociedade dos Poetas Mortos)

“Do ponto de vista histórico e existencial, diante das injustiças dos homens e das tragédias do mundo, os movimentos político-sociais se dividem entre duas atitudes de lutas: a revolta e a revolução. Por definição, a revolta se constitui um estado de espírito que é mais individual e subjetivo do que coletivo. “Ela é um conjunto perpétuo do homem e da sua própria obscuridade”. A revolta é uma filosofia de vida e uma exigência estética, que toma consciência do absurdo e diz “não”. Já a revolução - que chegou a formar uma “cultura revolucionária”, especialmente a marxista-leninista-guevarista -, se constitui numa ruptura necessariamente “explosiva” com vistas ao projeto de transformação radical da organização da sociedade.

Para o revolucionário de esquerda todas as injustiças e desigualdades têm como causa única as contradições concretas da sociedade capitalista, que precisam sofrer uma ruptura pela ação dos homens, dentro do processo histórico. O existencialismo de Albert Camus concebe um tipo de revoltado que entende a própria realidade como absurda. A sua linha de pensamento primeiramente toma como fonte inspiradora Prometeu e Sísifo, porque são exemplos clássicos de estilos arquetípicos de revolta do homem contra as imposições de uma realidade vivida existencialmente como injusta e absurda. Enquanto que Prometeu, pela sua ousadia sofre o castigo dos deuses, e não vê esperança de mudança na sua condição de dor e sofrimento, em Sísifo a esperança aparece no momento em que “ele toma consciência de sua tragédia e se revolta”, analisa Camus.

Assim, no pensamento existencialista de Camus a revolta tem dois significados: o primeiro encara tal atitude como reação natural diante da experiência do absurdo da vida. Trata-se de uma revolta metafísica do homem contra a sua condição e toda a criação. Esta revolta implica tanto num gesto de repulsa contra o criador quanto num ceticismo diante das soluções demasiadamente humanas. O segundo sentido é a revolta política ou histórica, por exemplo, do escravo que aspira sair da sua condição precária e submetida de mera sobrevivência. A revolta política implica numa atitude de suspeita permanente e rejeição para com as soluções simplistas de salvação da humanidade presentes nos discursos políticos e ideológicos de inspiração revolucionária.

A revolta camusiana nasce não apenas do oprimido, enquanto indivíduo ou classe social, mas de qualquer ser humano que vive uma condição de humilhação e de sofrimento imposto por outrem. Enquanto que o revolucionário apenas reconhece a revolta de uma classe – proletária – o revoltado camusiano reconhece a revolta do sujeito consciente visto como impedido de viver uma vida digna e feliz.  

Portanto, a atitude permanente de revolta proposta por Camus é a alternativa para o simplismo e mesmo o fanatismo”.

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