Governo quer alterar a cotação do bolívar face
ao dólar norte-americano.
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| Lufthansa é uma das empresas que suspendeu a venda de bilhetes JOHN MACDOUGALL/AFP |
As companhias aéreas que operam para a Venezuela suspenderam a
venda de bilhetes na terça-feira, dia em que entraria em vigor uma alteração da
cotação em bolívares do preço das viagens, mas cuja "base legal" não
foi publicada.
"Incerteza:
setor aéreo está paralisado. Não se publicou a aplicação Sicad-2 e quase todas
as vendas estão encerradas até que se aclare a situação", anunciou o
presidente da Associação de Linhas Aéreas da Venezuela (ALAV), Humberto
Figuera, na sua conta no Twitter.
Segunda-feira passada, a ALAV
contestou, em comunicado, a decisão do Governo venezuelano de alterar a cotação
bolívar/dólar norte-americano para o preço das passagens, que entraria em vigor a
1 de julho, por considerar que isso implica um "aumento considerável"
que "poderá produzir uma contração no setor e uma diminuição na
conectividade aérea do país".
"Não podemos criar falsas
expetativas com relação ao custo, em bolívares, dos bilhetes aéreos, porque a
referência cambial Sicad-2 (50 bolívares por cada dólar norte-americano)
implica um aumento considerável com relação ao Sicad-1 (10 bolívares por cada
dólar norte-americano)", sublinha o comunicado.
A Venezuela tem três cotações
oficiais do dólar dos Estados Unidos da América (EUA), a primeira delas de 6,30
bolívares (bs) por cada dólar norte-americano, reservada para a importação de
produtos essenciais. As outras duas dependem do valor variável de leilões do
Sistema Complementar de Administração de Divisas - Sicad.
Até agora, a cotação usada para
o pagamento de viagens e atividades relacionadas com o turismo era a do
Sicad-1, que nas últimas semanas se manteve estável em dez bolívares por cada
dólar norte-americano.
Segundo a ALAV, o Governo
venezuelano solicitou às linhas aéreas internacionais as tabelas de preços em
dólares, para fazer comparações sobre o custo por milha para diferentes
destinos, com a intenção de sugerir uma diminuição do preço em divisas.
Entretanto, durante a noite de
terça-feira (manhã desta quarta-feira em Lisboa), o ministro dos Transportes
Aquático e Aéreo venezuelano, Luís Graterol, anunciou que foi estendido o prazo
para a recepção das novas tabelas de bilhetes aéreos das companhias que viajam
desde e para a Venezuela e que ainda não cumpriram com essa exigência.
Segundo a Agência Venezuelana
de Notícias, depois de as linhas aéreas entregarem as tabelas de preços, o
Instituto Nacional de Aviação Civil, irá aprová-las ou reprová-las e divulgará
os preços, em dólares, para as distintas classes.
Na Venezuela, está em vigor desde
2003 um apertado sistema de controle cambial que impede a livre obtenção de
moeda estrangeira no país e obriga as companhias aéreas a terem autorização
para poderem repatriar os capitais gerados pelas operações.
O Governo da Venezuela deve
atualmente 3,43 mil milhões de dólares (cerca de 2,52 mil milhões de euros) às
companhias aéreas internacionais, por repatriação dos capitais e lucros
correspondentes às vendas de bilhetes aéreos desde 2012, que tem sido
dificultada pelas leis cambiais vigentes.
Estas dificuldades levaram a
Air Canadá e a Alitalia a suspender recentemente os voos para Caracas, enquanto
a American Airlines reduziu 80% das operações e a Lufthansa decidiu suspender a
venda de novos bilhetes. conteúdo: P Economia

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