quarta-feira, 8 de junho de 2016

A poesia segundo Nauro Machado



(FRAGMENTO)


Se é só exílio quando o fora
Faz-se dentro a própria ausência,
Para quem consigo mora
Estrangeiro em sua existência,
Sou a pátria do exílio agora,
Nela andando em minha essência;

Se a comida como almoço
Só mata a fome vizinha,
E o verbo, alimento insosso
De uma fome em mim daninha,
Faz-se refeição de um só osso
Para a boca que é só minha;

Se pelo fio da navalha
Que pela minha alma entrou,
Minha existência é a palha
Onde o fogo se alastrou,
Para o fim que me trabalha
No inferno que eu próprio sou.

NAURO MACHADO foi um poeta maranhense. Nauor faleceu em 28 de novembro de 2015. Sobre ele - disse o seu conterrâneo e também poeta, Ferreira Gullar: “É difícil qualificar esses poemas escritos, por assim dizer, no avesso da linguagem. Não é pela compreensão lógica que eles nos atingem mas pelo sortilégio de um falar desconcertante e único.”
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