terça-feira, 26 de julho de 2016

Demissão voluntária: é como começa o calvário


Todo processo de privatização de uma empresa pública, começa pelo programa de incentivo ao Pedido de Demissão Voluntária, o famigerado PDV, que a priori é visto pelo empregado fragilizado e que está vivendo sob a ameaça da demissão, como um ato de bondade da empresa. Ledo engano para quem vê nessa proposta um benefício ao trabalhador, que está ameaçado de demissão voluntária ou não.

Na realidade, o PDV é como se fosse um desencargo de consciência (alívio) do grupo que está vendendo a empresa e que pretende passar adiante um negócio, que ao ser fechado, os novos donos não terão nenhuma contemplação e deferência para com os empregados, sobretudo os mais velhos e “inadaptáveis” na nova visão corporativa.

O que serão demitidos logo na primeira leva, por serem vistos pelos novos donos da empresa como inservíveis e sem nenhuma chance de adaptação a uma nova cultura empresarial, serão os velhos e aqueles que não dominam novas tecnologias.     

Os funcionários das empresas que estão sendo colocadas à venda, pela Eletrobrás mãe, devem colocar as suas barbas de molho e ir se preparando para viverem novos tempos. E não adianta querer colaborar com a administração atual, que tudo fará para convencer os funcionários de que a privatização é um bom negócio. Bom para os compradores, porque herdarão uma empresa enxuta, sem grandes débitos e livre daquilo que os gerentes consideram desnecessário e chamam de peso morto. Peso morto nesse caso, são os funcionários já em idades avançadas.

Foi assim na Companhia Energética do Maranhão (CEMAR) e na Companhia Vale no estado do Maranhão. Isso para citar só exemplos próximos.

Eu aconselho os empregados de empresas estatais a não colaborarem com os seus futuros algozes e insisto na tese de que a privatização só é boa para os donos do novo negócio.
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